IA no WhatsApp do vereador: o que ela pode responder e o que não deve responder
Por Marcos Andrade, Arquiteto de Soluções em IA · Atualizado em 2026-11-03 · 6 min de leitura
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A IA no WhatsApp do vereador pode responder dúvidas frequentes, receber pedidos com foto e áudio, pedir os dados que faltam e encaminhar para o assessor certo, a qualquer hora. Ela não deve prometer serviço, falar em nome do vereador sobre posição política nem tratar sozinha de assunto delicado: nesses casos, encaminha para uma pessoa.
Neste guia você vê o que a IA faz bem, a lista do que ela não deve responder, a regra do TSE sobre chatbots em campanha, como ensinar a IA do gabinete e os cuidados com os dados do cidadão.
O que a IA faz bem no gabinete
- Dúvidas que se repetem: endereço e horário do gabinete, como pedir poda, tapa-buraco ou iluminação, onde fica cada serviço público da cidade.
- Receber o pedido completo: entende o áudio, lê a foto do problema e pergunta o que falta, como rua, número e ponto de referência.
- Atender fora do horário: à noite e no fim de semana o cidadão é atendido e o pedido já fica pronto para a equipe.
- Encaminhar para o setor certo: pedido do bairro, denúncia, convite ou imprensa vão para o responsável, com o histórico da conversa.
- Informar o que já é público: agenda aberta de audiências, como acompanhar as sessões, como funciona uma indicação.
Com isso, a equipe deixa de copiar e colar a mesma resposta o dia todo e passa a cuidar do que exige uma pessoa. Veja como organizar a equipe no guia de atendimento do gabinete pelo WhatsApp.
O que a IA do vereador não deve responder
| Situação | O que a IA faz |
|---|---|
| Pedido de serviço (“vão tapar o buraco quando?”) | Registra e diz que será encaminhado ao órgão responsável, sem prometer prazo nem resultado |
| Opinião do vereador sobre projeto, votação ou tema polêmico | Não responde em nome dele; informa que vai passar para a assessoria |
| Pedido pessoal (emprego, dinheiro, favor) | Não promete nada; encaminha para uma pessoa da equipe |
| Denúncia | Registra os fatos sem julgar e encaminha ao assessor responsável |
| Jornalista pedindo entrevista ou posição | Encaminha para a assessoria de comunicação |
| Ofensa, ameaça ou provocação | Não discute; encerra com educação e avisa a equipe |
| Emergência (acidente, violência, risco de vida) | Orienta a ligar para o serviço de emergência e avisa a equipe |
Dica: Regra simples para a equipe: se a resposta exige opinião, promessa ou decisão, não é com a IA. Ela informa, organiza e encaminha.
A IA se apresenta como assistente do gabinete, nunca como o vereador
O cidadão precisa saber que está falando com um atendimento automático do gabinete. Uma IA que escreve “aqui é o vereador” engana quem está do outro lado e quebra a confiança quando a pessoa descobre.
Em período de campanha, isso deixa de ser só boa prática. A Resolução TSE 23.610/2019, com a redação dada pela Resolução 23.732/2024, diz no art. 9º-B, § 3º, que o uso de chatbots, avatares e conteúdos sintéticos para intermediar a comunicação de campanha com pessoas reais precisa seguir as regras de aviso sobre conteúdo feito com IA, e proíbe qualquer simulação de conversa com a pessoa candidata ou com outra pessoa real.
O atendimento do gabinete não é campanha e não deve virar campanha. Mantenha a IA falando como “assistente virtual do gabinete”, o ano todo. Entenda o limite entre comunicação do mandato e propaganda em propaganda antecipada na comunicação do mandato.
Dica: Este guia é informativo e não substitui a orientação de um advogado eleitoral.
Como ensinar a IA do gabinete
- Monte a base de respostas: endereço, horário, serviços da prefeitura e onde pedir cada um, como funcionam indicação e audiência pública, links oficiais.
- Escreva a lista do que sempre vai para uma pessoa: posição política, promessa, pedido pessoal, denúncia, imprensa, ofensa, emergência.
- Defina a apresentação: “Olá! Sou a assistente virtual do gabinete. Posso tirar dúvidas e registrar seu pedido para a equipe.”
- Diga quais dados pedir em cada tipo de pedido: endereço, ponto de referência, foto, desde quando acontece.
- Teste com perguntas reais que já chegaram no WhatsApp, inclusive as difíceis e as provocações.
- Revise as conversas toda semana e ajuste o que a IA respondeu mal.

Modelo de instruções para a IA do gabinete
Use como ponto de partida e adapte à realidade do seu gabinete. Troque o que está entre colchetes.
Quem você é
Você é a assistente virtual do gabinete do vereador [nome] em [cidade]. Apresente-se sempre como assistente virtual do gabinete. Nunca diga que é o vereador nem escreva como se fosse ele.
O que você pode fazer
Responda dúvidas sobre endereço, horário, serviços públicos e como fazer pedidos, usando só as informações da base. Registre pedidos do bairro perguntando endereço, ponto de referência e uma foto, e encaminhe para o setor [setor].
O que você não faz
Não prometa serviço, prazo ou resultado. Não dê opinião sobre projetos, votações, partidos ou temas políticos. Não trate de pedido pessoal, denúncia ou imprensa: diga que vai passar para a equipe e transfira. Em emergência, oriente a ligar para o serviço de emergência e avise a equipe.
Cuidados com os dados do cidadão
A IA vai receber nome, telefone, endereço, fotos e, às vezes, relatos pessoais. A Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018) pede que o tratamento se limite ao mínimo necessário para a finalidade (art. 6º, III). Então a IA pede só o que precisa para atender o pedido.
Atenção redobrada com opinião política: para a LGPD, ela é dado pessoal sensível (art. 5º, II). A IA não deve perguntar em quem a pessoa vota nem marcar o cidadão como apoiador ou opositor. Mais em LGPD no gabinete parlamentar.
A IA do SIVA atende o cidadão e sabe a hora de chamar a equipe
No SIVA, o gabinete define o que a IA responde e o que sempre vai para uma pessoa. Ela atende 24 horas, entende áudio, lê foto e documento, pede os dados que faltam e transfere para o setor certo com o histórico. Quando o assessor entra na conversa, a IA para de responder. A gente deixa tudo pronto para você.
- IA treinada com as informações do gabinete, sem inventar resposta
- Lista do que sempre vai para uma pessoa da equipe
- Transferência para setores com o histórico da conversa
- Ajustes da IA pela tela ou conversando pelo WhatsApp
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Perguntas frequentes
O vereador pode usar IA para responder no WhatsApp?
Pode, como assistente virtual do gabinete, para dúvidas frequentes e registro de pedidos. Ela deve se apresentar como atendimento automático e encaminhar para uma pessoa o que exige opinião, promessa ou decisão.
A IA pode falar como se fosse o vereador?
Não deve. Engana o cidadão e, em campanha, a Resolução TSE 23.610/2019 (art. 9º-B, § 3º) proíbe simular conversa com a pessoa candidata ou outra pessoa real.
A IA pode prometer que o serviço vai ser feito?
Não. O gabinete indica e cobra, mas quem executa é o órgão responsável. A IA registra, encaminha e diz que o cidadão vai receber notícia.
O que a IA faz com pedido de emprego ou de ajuda financeira?
Não promete nada e passa para uma pessoa da equipe, que dá a resposta adequada.
A IA entende áudio e foto?
Sim. No SIVA, a IA transcreve o áudio e lê a foto, o que ajuda quando o cidadão manda a imagem do problema sem escrever o endereço.
Fontes
- Resolução TSE 23.732/2024 (altera a Res. 23.610/2019 sobre propaganda e IA)
- Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018), Planalto
- WhatsApp Business Messaging Policy
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